Criado em 1976 por Chris Claremont e Herb Trimpe, Brian Braddock está longe de ser um dos mais populares personagens da Marvel e para o grande público ele é um total desconhecido.
Mas às vezes o universo conspira a favor das causas mais improváveis. Nessa seara entra o destemido Bryan Braddock.
Depois de muitos rumores e um quase triunfal retorno ao papel de Superman, Henry Cavill foi oficialmente destituído do manto do “Homem do Amanhã ", fazendo um dos rostos mais conhecidos dos filmes de super heróis da atualidade pendurar sua capa.
Além de vestir como uma luva o manto kryptoniano, Cavill tinha uma grande identificação com o personagem e com toda a cultura nerd, o que fazia dele um embaixador para a DC e o seu universo pouco coeso, mas isso não foi suficiente para seguir como o "Último Filho de Krypton”.
Sem um collant para chamar de seu, não demorou para o nome de Henry passar a ter seu nome relacionado ao UCM, muitos desses novos rumores apontavam para ele dar vida à algum "super homem da marvel” Hyperion e Sentinela encabeçavam a lista, mas em uma entrevista o próprio ator como um bom britânico comentou que seria divertido interpretar Brian Braddock.
Mas a pergunta que não quer calar … por que Mephistos trazer o Capitão Britânia para o UCM???
Seria uma oportunidade única da Marvel ter o maior super herói (pelo menos os músculos de aço, que deram vida a ele) dos quadrinhos nas suas fileiras e arrebanhar fãs da sua arquirrival.
Cavill ficou marcado por ser um Superman sombrio, que pouco sorria e sempre tinha um semblante carregado, que contrasta muito com a ideia de quem deveria ser um símbolo de esperança, alegria e força. O Homem de aço de Snyder carregava o peso apocalíptico do fim do mundo.
Sob o poder criativo do mago Alan Moore, o Capitão Britânia sofre uma grande reformulação e passa a ter excelentes arcos carregados com tramas e reviravoltas.
Capitão Britânia de Alan Moore é incrível, imprevisível e mágico. Em muitos momento Braddock se vê perdido, sem saber em quem confiar, duvidando até mesmo dos seus instintos e quantas vezes vimos Cavill com o manto de Superman com esse semblante pesado, de não saber qual o seu lugar e se deve ou não usar seus poderes, que em nada combina com o último filho de krypton, mas que cairia como uma luva para o Capitão Britânia de Moore
Seria também uma forma alternativa da casa das ideias explorar o conceito de multiverso, em paralelo aos eventos que já ocorrem no UCM. No arco em questão Braddock viaja por várias Terras, conhece várias Londres, seres com poderes inimagináveis como Mad Jim Jasper e o Fúria um adversário que o leva ao limite em todos os seus confrontos.
Buscar uma nova visão sobre seus personagens, que se transformaram em uma massa disforme de uma receita que já não agrada mais, em parte por ter se tornado repetitivo demais e em boa parte pelo completo desleixo e falta de cuidado e carinho com os roteiros e suas produções.
Moore se utiliza muito bem das múltiplas realidades para nos apresentar versões de Londres governadas por tiranos e déspotas, que a partir de um discurso de ódio e de eliminação do diferente, de que um dia poderíamos vir a temer, um dia que pode nunca nem chegar. Transformam suas realidades em um verdadeiro terror que toda a liberdade tão defendida, já não existe e tudo que é considerado fora do padrão é marginalizado.
Vale ressaltar que essa fase de mudanças do Capitão Britânia começa com o roteirista Dave Thorpe em “Renegados” tem um forte teor político, Moore assume em seguida dando mais complexidade ao personagem, se valendo de uma destruição e uma reconstituição literal do personagem para explicitar o nascimento do seu Capitão Britânia.
James Gunn fez um ótimo “Esquadrão Suicida" com uma crítica acídia ao imperialismo americano e ressuscitou um grupo de super heróis que já havia sido dado como morto pelo estúdio e pela crítica, a Marvel pode se utilizar de um personagem pouco conhecido, com um ator super carismático para dar novos ares aos seus filmes que se tornaram um ctrl C + ctrl V.
Se valendo de uma ousadia que já lhe foi tão característica, a casa das ideias pode trazer Henry Cavill para seu UCM e revitalizar um nicho já saturado, com um filme poderoso e com uma boa dose de crítica ao momento em que o mundo vive. Por que é por isso que amamos nossos super heróis de collant por que tanto nos quadrinhos como nos cinemas eles sempre salvam o mundo e são um símbolo de esperança.


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