segunda-feira, 24 de julho de 2023

"Super Deuses"


 Escrito por Grant Morrison “Super Deuses” é uma viagem à cultura dos quadrinhos pela visão e mente psicodélica do quadrinista escocês amado por muitos e odiado por muitos mais.

Ele aborda os mais diversos assuntos do universo dos super heróis, que apesar de não ser o único gênero para  se trabalhar quadrinhos é com certeza o mais conhecido. Ainda mais se tratando de um cenário ocidental que o modelo norte americano é o que domina. 

Morrison conta um pouco sobre sua adolescência.Fala como o punk, a pobreza e os movimentos culturais ajudaram a construir um dos grandes escritores de quadrinhos da atualidade. 

Em “Grandes Deuses” ele faz diversas  análises sobre hqs clássicos  que marcaram época como “O Cavaleiro das Trevas”, Watchman” “A Queda de Murdock” entre tantos outros. 

O escoês revisita as eras dos quadrinhos desde a era de ouro, com os imortais Fantasma e Mandrake, nos reapresenta a criação do “último filho de Krypton” e o “Vigilante de Gotham”, avança pelas eras de prata e de bronze, adentra a era das treva e a decadência dos tenebrosos anos 90.

Como não poderia deixar de ser. Grant fala sobre a sanha desenfreada de Hollywood por qualquer tema que possa lhe render caminhões de dinheiro. Se durante décadas só o  “Superman” de Richard Donner em 1978  e “Batman” de Tim Burton em 1989 tivessem sido capazes de romper as barreiras dos quadrinhos e ir para as telonas com sucesso. Todos os outros não saiam nem do papel e as poucas tentativas eram completos fracassos. Porém os anos 2000 trouxe uma invasão de super heróis nos cinemas e Hollywood descobriu que podia os fazer sangrar. 

“Grandes Deuses” é uma leitura fluída e gostosa para os fãs de quadrinhos, uma oportunidade de saber um pouco mais sobre histórias clássicas e conhecer um pouco mais sobre esse grande autor. Além de fazer sua lista de desejo de hqs crescer consideravelmente.



terça-feira, 11 de julho de 2023

"The Flash"


 Com um pouco de atraso, assim como nosso protagonista Barry Allen, assistimos ao famigerado “The Flash” estrelado por Ezra Miller e agora podemos falar mal do novo filme da DC/Warner com propriedade. 


Sendo bem sincero, gostei do filme. Minhas expectativas em relação a ele eram baixas, diferente de algumas peças de marketing que vendia o longa como o melhor filme de herói já feito e todo esse blá blá blá não colou. Porém, o filme não é o desastre total que muito tem se falado.


“The Flash” é um filme divertido. para quem tem no Batman do Michael Keaton, uma referência para o homem morcego, tem um Q de nostalgia que não atrapalha. Assisti ao longa com medo que fosse um filme do Batman com um Flash correndo de um lado para o outro e foi uma boa surpresa descobrir que ele - apesar do  forte apelo do marketing - é uma parte pequena do filme( deveria ter colocado um alerta de possíveis spoilers no começo do texto ???).


Apesar de ter se mostrado uma verdadeira bomba relógio, indiscutivelmente Ezra Miller é o ponto alto de “The Flash” ele realmente consegue prender sua atenção, principalmente nas cenas dramáticas. O roteiro é preguiçoso, fraco e perdido. Mas com o pouco que tem Miller faz um trabalho excelente.


O Duo do Barry Allen poderia ser menos caricato e menos sem noção, um tom poderia encaixar melhor, mas esse extremo deixa as experiências de vida das duas linhas temporais bem nítidas. Por que se no começo do filme Barry é um tanto errático, quando ele se encontra com sua versão alternativa, ele se torna mais sóbrio e firme diante de um “eu” que tem tudo que ele sempre desejou.





A Supergirl de Sasha Calle, apesar de deslumbrante no uniforme kryptoniano, e do pesado marketing, é totalmente esquecível. Mal aproveitada como todas  as boas ideias que tiveram para o filme é um desperdício de personagem e de oportunidade, visto que todo universo DC está vindo abaixo, ser ousado não faria mal a ninguém.


O CGI é algo tão sofrível que nem é digno de nota, você assiste a cenas que parecem que não foram finalizadas. O diretor Andy Muschietti disse que essa era a intenção, por que quando o Flash aciona a força de aceleração a realidade a sua volta fica distorcida, mas o resultado na tela é totalmente artificial e feito de qualquer forma. 


“The Flash” não chega a ser uma decepção num oceano de filmes de super heróis fracos, feitos cada vez mais em escala industrial, onde parece que a qualidade passou a ser um mero detalhe. Como tantos outros longas Flash se vale de bons momentos, ideias mal executadas e um carismático e talentoso protagonista, que você irá assistir se divertir e logo depois da cena pós crédito será somente um borrão vermelho na sua memória. 


segunda-feira, 17 de abril de 2023

Henry Cavill Seria o Capitão Britânia Perfeito?

 


Criado em 1976 por Chris Claremont e Herb Trimpe, Brian Braddock está longe de ser um dos mais populares personagens da Marvel e para o grande público ele é um total desconhecido. 


Mas às vezes o universo conspira a favor das causas mais improváveis. Nessa seara entra o destemido Bryan Braddock. 

Depois de muitos rumores e um quase triunfal retorno ao papel de Superman, Henry Cavill foi oficialmente destituído do manto do “Homem do Amanhã ", fazendo um dos rostos mais conhecidos dos filmes de super heróis da atualidade pendurar sua capa.

Além de vestir como uma luva o manto kryptoniano, Cavill tinha uma grande identificação com o personagem e com toda a cultura nerd, o que fazia dele um embaixador para a DC e o seu universo pouco coeso, mas isso não foi suficiente para seguir como o "Último Filho de Krypton”.

Sem um collant para chamar de seu, não demorou para o nome de Henry passar a ter seu nome relacionado ao UCM, muitos desses novos rumores apontavam para ele dar vida à algum "super homem da marvel” Hyperion e Sentinela encabeçavam a lista, mas em uma entrevista o próprio ator como um bom britânico comentou que seria divertido interpretar Brian Braddock.

Mas a pergunta que não quer calar … por que Mephistos trazer o Capitão Britânia para o UCM???

Seria uma oportunidade única da Marvel ter o maior super herói (pelo menos os músculos de aço, que deram vida a ele) dos quadrinhos nas suas fileiras e arrebanhar fãs da sua arquirrival. 

Cavill ficou marcado por ser um Superman sombrio, que pouco sorria e sempre tinha um semblante carregado, que contrasta muito com a ideia de quem deveria ser um símbolo de esperança, alegria e força. O Homem de aço de Snyder carregava o peso apocalíptico do fim do mundo.

Sob o poder criativo do mago Alan Moore, o Capitão Britânia sofre uma grande reformulação e passa a ter excelentes arcos carregados com tramas e reviravoltas.

Capitão Britânia de Alan Moore é incrível, imprevisível e mágico. Em muitos momento Braddock se vê perdido, sem saber em quem confiar, duvidando até mesmo dos seus instintos e quantas vezes vimos Cavill com o manto de Superman com esse semblante pesado, de não saber qual o seu lugar e se deve ou não usar seus poderes, que em nada combina com o último filho de krypton, mas que cairia como uma luva para o Capitão Britânia de Moore

Seria também uma forma alternativa da casa das ideias explorar  o conceito de multiverso, em paralelo aos eventos que já ocorrem no UCM. No arco em questão Braddock viaja por várias Terras, conhece várias Londres, seres com poderes inimagináveis como Mad Jim Jasper e o Fúria um adversário que o leva ao limite em todos os seus confrontos. 

Buscar uma nova visão sobre seus personagens, que se transformaram em uma massa disforme de uma receita que já não agrada mais, em parte por ter se tornado repetitivo demais e em boa parte pelo completo desleixo e falta de cuidado e carinho com os roteiros e suas produções.

Moore se utiliza muito bem das múltiplas realidades para nos apresentar versões de Londres governadas por tiranos e déspotas, que a partir de um discurso de ódio e de eliminação do diferente, de que um dia poderíamos vir a temer, um dia que pode nunca nem chegar. Transformam suas realidades em um verdadeiro terror que toda a liberdade tão defendida, já não existe e tudo que é considerado fora do padrão é marginalizado.



Vale ressaltar que essa fase de mudanças do Capitão Britânia começa com o roteirista Dave Thorpe em “Renegados” tem um forte teor político, Moore assume em seguida dando mais complexidade ao personagem, se valendo de uma destruição e uma reconstituição literal do personagem para explicitar o nascimento do seu Capitão Britânia.

James Gunn fez um ótimo “Esquadrão Suicida" com uma crítica acídia ao imperialismo americano e ressuscitou um grupo de super heróis que já havia sido dado como morto pelo estúdio e pela crítica, a Marvel pode se utilizar de um personagem pouco conhecido, com um ator super carismático para dar novos ares aos seus filmes que se tornaram um ctrl C + ctrl V.

Se valendo de uma ousadia que já lhe foi tão característica, a casa das ideias pode trazer Henry Cavill para seu UCM e revitalizar um nicho já saturado, com um filme poderoso e com uma boa dose de crítica ao momento em que o mundo vive. Por que é por isso que amamos nossos super heróis de collant por que tanto nos quadrinhos como nos cinemas eles sempre salvam o mundo e são um símbolo de esperança.